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   :: CONTOS :: Por Pedro Bandeira                                                       

                                                                                                                           ffffA orientadora de uma escola de segundo grau de São Paulo andava muito preocupada dcom um dos alunos, o Marcelo. O rapazinho chegava para as aulas sempre de mau humor, dsempre de cara amarrada. Aos poucos, porém, com o passar das aulas, Marcelo se ddescontraía, ia ficando alegre e brincalhão.

ffff“Esse rapaz deve estar com problemas em casa...” – desconfiou a orientadora.

ffffPensou e chamou o Marcelo para uma conversa. O garoto foi logo falando:

ffff– Eu não agüento mais o meu pai!

ffff– Por que, Marcelo?

ffff– Ele vive brigando comigo. Todo dia é a mesma coisa. Ele implica com as minhas droupas, me dá bronca por causa do meu cabelo e diz que as músicas que eu gosto não dpassam de porcaria. Assim não dá!

dCom muita paciência, a orientadora perguntou:

ffff– E você? Gosta das roupas que seu pai usa?

ffff– Eu? Eu não!

ffff– Você gosta do corte de cabelo dele?

ffff– É claro que não!

ffff– E o que você acha das músicas que ele gosta de ouvir?

ffff– Acho chatas. Quadradérrimas!

ffffA orientadora sorriu. Estava na pista certa.

ffff– Marcelo, existe alguma coisa que seu pai goste e você também goste?

ffffO garoto pensou um pouco. Ele também queria encontrar uma solução para o problema.

ffff– Bom... ele gosta da mamãe e eu também gosto!

ffff– Está ótimo, Marcelo. Mas, além da mamãe, não tem outra coisa que vocês dois dgostem?

ffff– Hum... Não sei... acho que não...

ffff– Você gosta de futebol, Marcelo?

ffff– Adoro!

ffff– E seu pai?

ffff– É fanático!

ffff– Vocês dois torcem pelo mesmo time?

ffff– É claro! Quando eu era pequeno, meu pai sempre me levava ao estádio!

ffff– Então, Marcelo, vamos fazer o seguinte: quando você encontrar seu pai, não deixe    da conversa cair para o lado de roupas, música, nem da moda dos cortes de cabelo. Fale dsobre seu time, converse sobre futebol. Depois vá pensando em outras coisas que você e dseu pai gostam. Você vai descobrir uma porção. Daí, procure sempre conversar com ele dsobre essas coisas e nunca sobre o que pode dar discussão. Depois me conte no que deu dtudo isso.

ffffPassaram-se duas semanas sem que a orientadora encontrasse o Marcelo. Ela     dresolveu dar tempo ao tempo e esperou que o garoto a procurasse.

ffffCerto dia, Marcelo entrou pela sala de orientação adentro, com um sorriso que   diluminava tudo em volta. Olhou para a orientadora e disse:

ffff– Sabe? Meu pai é um cara genial!

 ffffEssa história aconteceu de verdade. Há uma fase na vida de todo mundo em que os djovens sentem uma necessidade danada de brigar com os pais e chega um ponto em    dque até parece que a mãe e a filha ou o pai e o filho odeiam um ao outro. É claro que djovens e adultos têm um monte de pontos que “não batem”, como modo de vestir, de dcortar o cabelo ou gosto musical. Mas, quando duas pessoas vivem juntas a vida toda,    dé fácil descobrir uma porção de coisas em comum. Que tal começar a procurar esses dpontos já?

 

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